"Em toda a infância houve um jardim. Isto é coisa de poetas."

Augustina Bessa-Luís

sábado, 11 de dezembro de 2010

"Vamos poupar para oferecer um presente a um amigo" Parte II

Chegou o momento de contar as moedas que cada criança tinha conseguido poupar no seu mealheiro e ir procurar um presente para oferecer ao amigo, ou à amiga.

O objectivo principal deste projecto não era o presente em si, apesar de ser o que de imediato mais impacto teria na criança e de termos elaborado uma listagem dos presentes que cada uma gostaria de receber. O objectivo principal deste projecto era o envolvimento da criança no acto de “poupar” e perceber que não pode gastar mais do que a quantia que tem. Era importante que a criança percebesse que teria de escolher um presente que “coubesse” dentro do valor das moedas que conseguiu juntar.
Inicialmente esta actividade passava por partilharmos na sala do JI toda a sua dinâmica, mas sem Assistente Operacional, a tempo inteiro, que me pudesse auxiliar no acompanhamento do grupo de 16 crianças, tornou-se bastante complicado organizar uma visita a um espaço onde as crianças pudessem adquirir o que pretendiam oferecer. Por isso os Pais acompanharam as crianças nessa tarefa no fim-de-semana passado, e na segunda-feira esta aventura ocupou grande parte da “Hora das novidades”. 
Decidimos fazer a troca de presentes na passada quinta-feira, pois o Vitor, um dos maiores entusiastas desta actividade, foi internado ontem para fazer uma operação ao nariz.

Na segunda-feira algumas crianças já trouxeram o presente que tinham comprado para o/a amigo/a. O André tinha ido com a mãe à Casa das Prendas comprar a prenda para a Francisca e até viu lá o presente que o Afonso gostava de receber e que eu teria de procurar.  
- No Modelo tem lá uma caixa cheia de carrinhos do Cars, mas acho que não encontras lá o carrinho roxo que o Afonso quer, pois eu meti a mão até ao fundo da caixa e não encontrei. – disse o André que também se preocupou com os presentes de outros amigos.

Eu também não consegui encontrar o carrinho dos “maus” que o Afonso queria e entre um outro carrinho da colecção ou uma caixa com “muitos” carrinhos, o Afonso preferiu a segunda opção.

Ao Vitor ainda lhe sobraram algumas moedas depois de ter comprado o carrinho que o Gonçalo gostava de ter e decidiu iniciar outra poupança…desta vez para um candeeiro para o seu quarto.

O João também foi com a mãe comprar o presente do Pedro e, depois de contar as moedas que juntou, a mãe mostrou-lhe qual o número pelo qual o preço do presente que ele procurava podia começar. Depois de comprar o presente para o amigo anunciou à mãe que a partir de agora vai poupar para comprar tijolos para a casa que os Pais querem fazer sair do projecto e construir pertinho da casa da avó.

A Ana trouxe o presente da Leonor na segunda-feira. A Leonor apesar de também ter ido às compras com os Pais no fim-de-semana só o trouxe na terça-feira. Logo pela manhã a Ana esperava ansiosamente a Leonor e quando a viu entrar na sala com um saco na mão deu-lhe um abraço do “tamanho do Mundo”.

O André ficou preocupado quando a Francisca D. disse que já tinha comprado uma boneca.  
-“Mas eu não pedi uma boneca!!!”
Na quinta-feira suspirou de alívio, e de alegria também, quando descobriu que afinal a Francisca não se tinha enganado na prenda…Não era o “Rei Faísca”, mas era um “Mini” vermelho e telecomandado…

A Jéssica foi às compras com os Pais e como a prenda era “barata” o pai ofereceu-se para pagar se ela prometesse que iria continuar a poupar no seu mealheiro. 

O Pedro também não quis usar as suas moedas e conseguiu convencer a mãe a “patrocinar” o “tractor pequenino” que o João tinha pedido.

Algumas crianças não trouxeram o presente desejado pelo/a amigo/a porque ou não o encontraram, ou porque era “caro”, substituindo-o por outro que também acharam que lhes iria agradar. O Gonçalo aconselhou-os a ir à “Loja dos Chineses” que “lá os brinquedos não são assim tão caros”.

Mas para além da matemática das moedas foi também possível trabalhar outros conteúdos desta área. O embrulho triangular que o Pedro trouxe, serviu de mote para a discussão sobre algumas formas geométricas e fizemos correspondências matemáticas entre pares e presentes.

Foi interessante ver a expressão de orgulho com que as crianças chegavam com os presentes para os amigos e a expressão de alegria que estes demonstravam por não terem sido esquecidos.
Interessante foi também o debate que o tamanho dos embrulhos promoveu. O que devemos valorizar quando nos oferecem um presente é o carinho com que os amigos o escolheram para nós, mesmo que não seja exactamente aquilo que mais gostaríamos de ter recebido.
E foi isso que aconteceu. Mesmo algumas crianças não tendo recebido exactamente o que tinham pedido, o brilho da alegria estava estampado em todos os rostos … e a Margarida não resistiu a colocar no cabelo um dos “arcos” que recebeu.

Receber um presente de um amigo é mesmo algo especial…e oferecer um presente a um amigo também…

E estes presentes são tão especiais que ontem várias crianças trouxeram o que receberam para mostrar aos amigos como funcionam. A Ana Miguel trouxe a bolsa que recebeu da Vera e a Vera já guardou moedas na carteira das princesas que a Ana lhe ofereceu. O Pedro mostrou os sons que o cavalo “faz” e até jogamos o “4 em linha” que a Jéssica recebeu da Joana. A Beatriz já escovou o cabelo com a "escova de princesa" que recebeu da dona Alice e a Francisca C. gostou tanto do presente que a Margarida lhe ofereceu que trazia o “aquece-orelhas” debaixo do gorro com que chegou ao JI pela manhã.
Eu adorei a planta que o Afonso me ofereceu e a dona Alice estava mesmo a precisar de umas chávenas para o café, que a Beatriz comprou com o dinheiro dos ovos que vendeu :o)

Nota: Não há fotografias de todos os presenteados e presentes devido a problemas técnicos :o)


sábado, 4 de dezembro de 2010

"O Imperador e o Rouxinol"... Um presente de Natal...

E porque os presentes de Natal podem ser momentos inesquecíveis, esta semana recebemos o nosso presente natalício…

Fomos ao Coliseu do Porto, juntamente com os nossos amigos do 1º Ciclo, ver a peça de teatro “O Imperador e o Rouxinol”.

Recontada pelas crianças, no dia seguinte, esta história reza assim:

“Era uma vez um imperador que tinha um palácio muito belo.
Um dia ele leu nos livros que no reino dele havia um rouxinol que cantava muito, muito bem. E ele chamou as “criadas” para lhe trazerem esse rouxinol.
Elas pediram ajuda aos Samurais e conseguiram levar o rouxinol ao Imperador.
Quando o ouviu cantar, o Imperador prendeu o rouxinol com uma corda para que ele ficasse no palácio e cantasse só para ele e sempre que ele quisesse.
O rouxinol, que não gostava de estar preso, ficou triste e deixou de cantar.
E depois … E depois foi intervalo (Jéssica).
Então as “criadas”, que não gostavam do rouxinol, trouxeram outro rouxinol de dar à corda e o rouxinol verdadeiro fugiu.
O rouxinol de corda não cantava lá muito bem, mas o imperador podia ouvi-lo sempre que lhe dava corda. Mas um dia saltou-lhe uma mola e o rouxinol de corda avariou.
O Imperador ficou doente e estava quase a morrer. Quando o rouxinol verdadeiro veio outra vez cantar para ele, ele ficou forte e feliz. O rouxinol também estava feliz porque ficou livre e só vinha cantar para o Imperador quando lhe apetecia, ou quando ele lhe pedia.

Vitória, vitória, acabou-se a história.
Marmelada, marmelada, a história está acabada.”

As opiniões sobre o que mais gostaram dividiam-se entre as crianças, mas o “relógio mágico” (do edifício Palladium), o dragão/leão chinês, o rouxinol a cantar e as bailarinas foram do agrado geral…


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Momentos Soltos de Novembro

No mês de Novembro, depois das castanhas assadas e quentinhas, chegou o frio e a chuva...e com eles um cheirinho a Natal...
Já pusemos mãos à obra e começamos a fazer estrelas e renas...



E para "aquecer", nada como as brincadeiras com a professora Manuela ...Estafetas e Meditação...


*****Doce mês de Dezembro Amigos*****

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Visita de amigas...

Hoje tivemos a visita de duas amigas que, não estando actualmente a exercer funções na nossa escola, já partilharam muitos bons momentos connosco, a Vera e a dona Elisa... É bom receber as pessoas que gostam de nós e de quem nós gostamos. Voltem sempre porque serão bem-vindas...

domingo, 28 de novembro de 2010

Sombras e Silhuetas

A blogosfera é um espaço de divulgação e partilha por excelência. Existem muitos e variados espaços que podem ser consultados e nos despertar as ideias... Há um que me agrada em especial: chama-se "Palavars M" e é orientado por duas Educadoras de Infância que têm a capacidade de "(re)inventar" com muito bom gosto. 
Foi ao "espreitar" na janela das "palavras" que a minha atenção ficou desperta para as sombras ("região escura formada pela ausência parcial da luz, proporcionada pela existência de um obstáculo") e silhuetas ("onde os contornos se vislumbram, mas não se afirmam"). Sombras e silhuetas que resultaram num trabalho que, se tendo prolongado por algumas semanas, nos permitiu encher a sala de novos conhecimentos e de pôr em prática aqueles que já dominamos. 
Aqui ficam as imagens de um trabalho que concluímos na sexta-feira...


*****Boa semana Amigos*****

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A vendedora de ovos...

A nossa campanha da "poupança" continua em vigor e cada um tem de descobrir formas de conseguir ganhar algum dinheiro para o poder poupar a seguir...
A Beatriz tornou-se numa "vendedora" de ovos e vai ganhando com este "negócio" algumas moedas que tem posto no seu "peteiro" (mealheiro). O seu avô tem galinhas e na terça-feira a Beatriz trouxe uma dúzia de ovos caseiros, que eu lhe paguei com uma moeda de 2€. 
Este "negócio" ofereceu-nos muitas possibilidades matemáticas: para além do valor da moeda, falamos de quantidades de ovos que formam uma dúzia e meia dúzia...tudo isto com os ovos "de verdade" e sem partir nenhum...



À tarde os ovos continuaram a ser as "estrelas" e também foram exploradas possibilidades na área do português... Descobrimos na Biblioteca um livro "velhinho", da colecção "pé ante pé", o nº6, da Porto Editora, que nos ensinou uma lengalenga, oriunda da tradição oral, que permitiu "estabelecer uma sequência narrativa estruturada em termos de relação causa/efeito, e de interpretação muito simples." (Coquet, Viana e Martins)...


"As mulheres do campo, quando vão à vila.
Levam cestos de ovos e galinhas em cima.
Ao passar a ponte, caiu a cestinha.
Partiram-se os ovos. Fugiu a galinha.
-Ó mulher dos ovos, venha cá acima.
-Eu não tenho ovos. Fugiu-me a galinha..."

domingo, 21 de novembro de 2010

Aniversários da semana...e do mês...

Nesta última semana festejamos dois aniversários: o da dona Alice e o da Francisca C.

Para registarmos o número de anos da dona Alice tivemos de solucionar o problema das muitas bolinhas que iriam ser necessárias e do comprimento do fio que seria necessário para as enfiar. Procuramos um material menos volumoso e propus às crianças que fizessem conjuntos de dez até termos cinquenta "peças"... E cinco conjuntos depois, foi só juntar uma bolinha e lá assinalámos os 51 anos da nossa amiga.
Com a Francisca, depois de termos feito o habitual Bolo de Iogurte, a tarefa foi muito mais fácil...foi só juntar 3 bolinhas com 2 flores e chegámos aos 5 anos que ela completou na sexta-feira. Uma mão cheia de beijinhos de Parabéns :o)

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"Rua das Cáries"

"Rua das Cáries" é um livro de Anna Russelmann, que juntamente com a "Aventura dos Alimentos", da mesma autora, me acompanha já há muitos anos. É um dos livros favoritos das crianças e hoje uma das conversas espontâneas do grupo levou-nos até ele...
O Lambão e o Glutão deram o mote para que conversássemos sobre a importância da escovagem dos dentes:

André: Escovo os dentes porque eles ficam sujos e depois custa muito a sair. A minha prima tem uma escova que quando lava os dentes faz barulho (zzzzzzzzzzz). Em minha casa as escovas dos dentes são todas diferentes para eu saber qual é a minha.

Vítor: O meu pai só lava os dentes às vezes, por isso ele tem um dente dourado. Não é amarelo, é mesmo de ouro. Quando eu crescer também vou ter um dente assim. Já fui ao dentista e foi muito fixe, porque lá tem uma coisa que faz cócegas nos dentes.

Gonçalo: Eu lavo os dentes todos os dias e não preciso ir ao dentista. O meu primo tem uma escova, que eu já vi, que tem uma rodinha e depois faz cócegas nos dentes.

Afonso: Eu lavo os dentes todos os dias, a minha mãe, o meu pai, a minha irmã, o meu avô, a minha avó também lavam…Mas o meu cão não, nem a minha cadela…

Beatriz: A minha mãe quer que eu vá ao dentista porque tenho um buraquinho num dente. Mas agora o meu pai está a trabalhar muito longe … na Alemanha, em Espanha e em França e não me pode levar. A minha pasta de casa da avó Lina já acabou e agora tenho outra que é mais fácil de tirar…

Francisca C.: Lavo sempre os dentes de manhã e à noite com pasta sem picante…e nunca me doem os dentes.

Vera: A minha pasta é verde, mas eu não escovo os dentes porque a minha mãe não tem tempo.

Jéssica: tenho uma escova vermelha e branca e um copo. Às vezes a minha mãe ajuda-me porque eu não consigo lavar os dentes lá de trás e ela lava mais rápido… Um dia fui à dentista e ela tirou-me três bichinhos…e não me doeu nada.
As escovas em minha casa são todas diferentes mas usamos todos a mesma pasta.

Pedro: Lavo os dentes antes de ir para a cama. Ponho a pasta na escova vermelha e lavo os dentes sozinho.

Leonor: Eu lavo os meus dentes sozinha, mas a minha mãe está lá sempre a lavar os dela.

João: Já fui ao dentista arrancar dois dentes, porque estavam dois dentes a nascer por trás. Todos os dias lavo os dentes para eles não ficarem sujos.

Joana: Lavo todos os dias os dentes. A minha escova é laranja e a do Filipe é verde.

Francisca D.: Lavo os dentes sozinha, com a escova que está na casa-de-banho. A minha escova está com a do pai, a da mãe e a do meu irmão, porque eles também lavam os dentes.

Margarida: O meu pai lava os dentes comigo, mas às vezes a minha mãe lava os meus dentes…mas não lava os dela.

Ana Luísa: Lavo os dentes sozinha com a minha escova verde e vermelha. A pasta é verde e é minha, da Catarina, da mãe e do pai.

Cantarolamos uma musiquinha para acompanhar o "ilustração" da história...




sábado, 13 de novembro de 2010

É tão bom uma amizade assim...

Ao fim de dois meses de actividades lectivas, a sala do Jardim de Infância continua sem Assistente Operacional que possa apoiar a tempo inteiro as crianças que a frequentam. Vou tentando responder aos interesses e necessidades de todas, mas num grupo de crianças entre os três e os cinco anos as solicitações são muitas e variadas o que torna esta missão de orientação e apoio numa missão "quase impossível" de se concretizar de uma forma plena e satisfatória, com todas as crianças. Pois se há crianças sempre ávidas de partilhar experiências e de novas aprendizagens, independentes e autónomas, há também aquelas que quer pela sua idade, quer pela falta de estímulo e motivação, necessitam de maior apoio e incentivo. 
Confesso que muitas vezes me sinto literalmente como diz o velho ditado "uma tola no meio da ponte"... Grosso modo, o que devo fazer? Travo os que vão à frente, para puxar os que vêm atrás? Ando com os da frente e deixo por alguns momentos os que estão atrás? "Empato" os que vão à frente e venho ajudar os de trás a aproximarem-se? Vou tentando gerir de uma forma equilibrada as minhas opções tendo em conta, muitas vezes, a pertinência das solicitações no imediato.  Em termos de resposta individual, poderia fazer muito mais se houvesse mais um adulto na sala que pudesse colmatar as minhas "ausências" quando, inevitavelmente, tenho de orientar a minha atenção para um pequeno grupo de crianças ou apenas para uma criança.
Por isso todo o "voluntariado" é bem-vindo  e este post serve para agradecer aos Amigos que vêm à nossa sala partilhar "Brincadeiras"...

Sempre que possível, às terças-feiras à tarde, a professora Manuela vem "ginasticar" connosco. Durante cerca de uma hora brincamos com as nossas capacidades coordenativas. Esta semana trabalhamos a capacidade de diferenciação cinestésica, que "é a capacidade de diferenciar as informações provenientes dos músculos, tendões e ligamentos, que nos informam sobre a posição do nosso corpo num determinado momento e espaço e que nos permite realizar as acções motoras de uma forma correcta e económica, conseguindo assim a coordenação dos movimentos." (Rui Nuno Carvalho)



Às quartas-feiras à tarde, a Educadora Ana (Coordenadora do Departamento da Educação Pré-Escolar) vem visitar-nos. Esta semana trouxe-nos um livro da Biblioteca da Escola Sede e contou-nos a história do "O Cuquedo". E entre histórias e brincadeiras a Educadora Ana dá-nos uma ajuda preciosa.


Também quem nos dá uma ajuda preciosa é a dona Alice que, sendo a única Assistente Operacional no Estabelecimento de Ensino, sempre que tem um tempinho entre as suas funções   (nas quais se incluem as muitas "miudezas" do funcionamento diário e o atendimento às solicitações das três salas da EB1/JI), à tarde vem Brincar connosco... As crianças adoram sentar-se ao seu redor e fazer "tecelagem" ou modelar a plasticina. Também nos ajuda na requisição dos livros que semanalmente cada criança leva para casa, para ler em família (PNL: "Leitura em Vai e Vem"). Até já escolhemos um nome para designar estes momentos... "As tardes da Alice" :o) 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"Maria Castanha"...em dia de S. Martinho.

Em dia de S. Martinho, aproveitamos os bonecos desenhados pelos nossos amigos do 2º Ano, que os fizeram quando andavam no Jardim de Infância, e contamos a história da "Maria Castanha" ... 
Depois fomos até à sala que os nossos amigos do 2º Ano partilham com os do 1º Ano para lhes contarmos esta história... e o Diogo ainda se recordava de ter desenhado as duas casas...
Os nossos amigos também nos contaram a "Lenda de S. Martinho", pois estavam a fazer um trabalho sobre ela.

No regresso à sala, ainda houve tempo para umas "macaquices" :o)



E para finalizar bem este dia cinzento e frio, aquecemos as mãozinhas com castanhas assadas no forno do fogão da cozinha...
Para dar cor à festa, os Pais, ou os Avós, deram uma ajudinha na construção dos cartuchos que todos trouxeram de casa... Como eu e a dona Alice nos esquecemos dos nossos cartuchos, a Beatriz ofereceu-nos dois dos dela, pois o avô ajudou-a a fazer quatro...
Uma festa entre Amigos...que havemos de repetir em dia de Sol, com uma fogueira, para depois nos enfarruscarmos...como manda a tradição :o)

domingo, 7 de novembro de 2010

"Vamos poupar para oferecer um presente a um amigo"

Tudo começou durante uma conversa matinal, quando o Gonçalo já chegou à sala com as calças sujas nos joelhos, depois de uns pontapés na bola com os amigos na erva humedecida pelo orvalho. Esta é uma situação que se tem repetido nos últimos dias e a Jéssica demonstrou alguma preocupação quanto aos gastos que a mãe do Gonçalo terá de fazer se ele continuar a sujar as calças repetidamente.
A partir daqui surgiu uma conversa sobre gastos e poupanças. Afinal para que serve o dinheiro e como pode ser ganho?
Como é que os Pais ganham dinheiro e para que o usam, foram algumas das questões discutidas. Os Pais não gastam só dinheiro quando vão ao supermercado, ou lhes compram um presente. Os Pais gastam dinheiro quando em casa se abre uma torneira para encher um copo de água, se acende a luz no quarto ou se vai dar um passeio de carro. O Afonso quis saber como é que eu ganho dinheiro e demonstraram um misto de espanto e satisfação quando lhes disse que ganhava dinheiro quando “BRINCAVA” com eles…
As palavras “crise” e “poupar”, actualmente, fazem parte das conversas familiares. Estes conceitos são também discutidos pelas crianças e desde muito pequenas é importante explicar-lhes a necessidade da poupança e ajudá-las a perceber que devem ter algum dinheiro guardado para alguma emergência (como por exemplo o arranjo ou a substituição de um brinquedo estragado) e devem também poupar dinheiro para, mais tarde, comprarem algo que necessitam ou desejam.
A Jéssica lembrou que quando as pessoas não têm dinheiro podem ir ao Banco. Expliquei-lhes que o Banco só nos dá dinheiro se antes lá tivermos posto algum na “nossas caixinha” … E que por vezes nos pode emprestar, mas que depois temos de devolver … e como foi emprestado, quando devolvemos, o Banco pede sempre um “bocadinho” mais do que aquele que empresta.
Geralmente, quando encontro algo “baratinho” que acho que, durante o ano, pode ser útil em alguma actividade compro e espero uma oportunidade para utilizar. Foi o que aconteceu com os mealheiros que já há algumas semanas estavam guardados numa caixa para um eventual projecto de poupança.
As crianças criaram a oportunidade, por isso bastou “abrir a caixa” e as coisas foram, naturalmente, acontecendo.
Todos têm em casa um mealheiro (ou um “migalheiro” como a maioria lhe chama…ou um “peteiro” como algumas avós o apelidaram) e todos têm moedas … ou quase todos, pois o Afonso diz que tem “zero moedas”.
Inicialmente a ideia era poupar para comprarmos um brinquedo, no Natal, para oferecer a uma criança que de outra forma não o poderia ter. Mas esta noção de ajudar alguém que as crianças não conhecem, nesta faixa etária, é um pouco abstracto. E o Vitor disse:
-Eu gostava era de juntar para comprar um presente para mim…
-E o que compravas tu? – perguntei-lhe.
-Um Prorshe…de verdade.
A dona Alice que se tinha juntado a nós nesta conversa, quando veio contar o número de crianças que almoçariam nesse dia na Cantina, disse:
-Ó Vitor e se poupasses para dar um presente a um amigo?
Bingo!!! A dona Alice tinha dado um passo importante para a finalidade que se poderia dar ao dinheiro que cada um irá poupar.
A ideia agradou de imediato ao Vitor que escolheu o Gonçalo como o amigo a quem vai oferecer um presente no Natal. Como havia mais dois mealheiros, eu e a dona Alice também iremos entrar no “Jogo da Poupança” e o Afonso fez recair a sua escolha em mim. As escolhas foram-se sucedendo de uma forma espontânea...
Estávamos ainda no processo das escolhas e o Vitor perguntou ao Gonçalo qual a prenda que ele gostava de ter:
- Um Faísca Mcqueen azul. – respondeu o Gonçalo.
-Mas isso é muito “caríssimo”!!! - disse o Vitor já a pensar numa forma de poupar – No sábado vou arrumar o meu quarto e quando a minha mãe acordar vai-me dar duas moedas.
O Afonso pensa oferecer-me uma boneca ou uma Hello Kitty“É disso que as meninas gostam”, disse ele.
Na sexta-feira lá foram os mealheiros para casa e as “regras” deste jogo, juntamente com algumas dicas... Ver aqui e aqui...
As poupanças poderão ser feitas a partir de “pagamento” de pequenas tarefas que as crianças possam executar para ajudar os Pais, ou por troca de algo que elas abdiquem, como por exemplo uma chiclete quando vão ao Café ou de uma “bola” da máquina, guardando no mealheiro essa moeda. 
Uma das regras chave deste “jogo” é que nenhuma criança poderá ganhar uma moeda se não a merecer realmente.
Mais perto do Natal, cada criança deverá trazer o seu mealheiro (cujas chaves ficarão na sala do JI) para que faça a contagem das moedas que economizou. Depois de contas feitas tentaremos ir a uma loja em que cada uma terá, consoante as suas poupanças, de escolher um brinquedo para oferecer ao amigo ou amiga.


Nota: Pais, vamos tentar que no segundo período cada criança poupe para si e que no terceiro período cada uma poupe para uma causa solidária.




domingo, 31 de outubro de 2010

Momentos soltos de Outubro...


E a juntar a estes momentos, vejam no blogue da nossa escola a nossa participação no projecto "Leitura em vai e vem" (PNL) , que iniciamos esta semana.
No livro "A importância do ato de ler", Paulo Freire diz que "A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele." Assim sendo, a criança antes de conseguir decifrar as milhares combinações possíveis entre as letras já sabe ler... as imagens do Mundo...e dos livros...




Aniversariante do mês...
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sábado, 30 de outubro de 2010

Eureka! Eureka!

Ontem o André, depois de ter trazido uma bóia, trouxe uma pedra que recolheu no “rio de água quente”, quando foi a Espanha, pelo Gerês.

Ora cá estava a deixa para falarmos do Princípio de Arquimedes… Depois da leveza da bóia, tínhamos o peso da pedra…
Numa bacia com água testamos o efeito da pedra no nível da água.

Porque subiu o nível da água?
André: A pedra empurrou a água para cima porque é pesada…e aperta a água.
Gonçalo: E porque a água não tem mãos para a segurar…
Vitor: E também não tem cabeça…por isso não tem cérebro para pensar.
Jéssica: Se a pedra fosse mais pesada a água vinha mais para cima.

Mas a experiência podia continuar. Por isso arranjamos mais alguns objectos para testar a flutuação e o afundamento: um clipe, uma castanha, meia casca de noz, uma bola de plasticina, uma esfera e “prata”.

Quem flutua e quem afunda?
-Afunda a bola de plasticina, o clipe e a esfera e flutua, a casca de noz, a castanha e o barco feito com a “prata”.
Gonçalo: O clipe é leve, mas vai ao fundo porque é pequeno.

Colocados todos dentro do “barco de prata” porque nenhum vai ao fundo?
Vitor: Porque agora estão no barco e o barco é feito de…
André: … de prata.
Vitor: Não é prata, é papel de chocolate.

E porque não se afunda a plasticina quando transformamos a bola em barco?
Francisca: Porque o barquinho é largo e a plasticina ficou maior.

Porque foi a casca da noz ao fundo, quando colocamos a esfera dentro dela?
André: A esfera é de inox e pesa mais…e faz força para baixo. E com o barco de “prata” e de plasticina a água faz força para cima.






Falamos sobre a história de Arquimedes que, por ter de descobrir se a coroa de um rei era de ouro, ou não, enquanto tomava banho, fez uma descoberta muito importante quanto à força que os objectos exerciam sobre a água quando afundavam e que esta exercia sobre os objectos que flutuavam. Ele ficou tão entusiasmado com esta descoberta que saiu da banheira e foi pela rua a correr, todo nu (gargalhada geral) a gritar “Eureka! Eureka!”, que quer dizer “Encontrei a solução! Encontrei a solução!”.


O André descobriu que por ter trazido aquela pedra consigo o “rio da água quente" ficou mais baixinho…

Já no final desta experiência choveu torrencialmente e também vimos relâmpagos e ouvimos trovoada. A Natureza oferecia-nos mais uma oportunidade para falar sobre um dos seus fenómenos … e de alguma forma, tranquilizar algumas crianças que se sentem assustadas com o barulho da trovoada.
Falamos das nuvens e da quantidade de gotinhas de água que elas carregam. Falamos do vento e da forma como ele empurra e faz chocar estas nuvens cinzentas e gordas. Falamos da luz e do som que estes choques entre as nuvens provocam e da velocidade com que chega até nós a luz do relâmpago e o som da trovoada.
Entretanto a professora Cristina Alves, que vai connosco fazer uma parte da sua tese de doutoramento, na área da matemática, juntou-se a nós e ajudou-nos a contar os “segundos” entre o a luz e o som. Ficamos a saber que a luz é mais rápida que o som, por isso chega primeiro, e que se as nuvens que chocam estiverem mais perto de nós temos de contar menos “segundos” entre a luz e o som.
E para que algumas crianças afastassem do seu rosto aquela expressão que fica ali algures entre o assustado e o apreensivo, decidimos que a trovoada era o “ressonar do Céu” e que por isso não era necessário ter medo…
O Vitor que até tapava os ouvidos, para não ouvir a trovoada, disse:
-É como o meu pai, que ressona tão alto que eu até ouço no meu quarto…
E a julgar por outros comentários entre os presentes, não há-de ser o único pai a fazê-lo :o)

Ah! E não esquecer que em dias de trovoada nos devemos afastar das árvores e de zonas com água, pois os relâmpagos gostam muito de cair sobre elas…



Era uma vez...o Corpo Humano.

Tudo começou no dia em que o Vitor e o Gonçalo trouxeram dois DVDs iguais: “Músculos”, da colecção “Corpo Humano”. Começar a falar do nosso corpo foi inevitável e alguém se lembrou de ir buscar um cartaz do Corpo Humano à sala “dos meninos da primária”. Esqueleto, músculos, veias, órgãos, pele foram temas abordados no reconhecimento do corpo. Este foi o ponto de partida para cada criança construir um boneco, com “cabeça, tronco e membros”. Recolhido o material que poderíamos utilizar na sua construção, foram postas mãos-à-obra…
Escolhidas cores e formas, foram “nascendo” os bonecos que, posteriormente, cada criança reproduziu numa folha de papel.
Descobrindo umas “palhas” maiores do que aquelas que utilizamos para os braços e para as pernas, a Jéssica teve a ideia de fazermos um menino e uma menina “grandes”, para identificarmos as casas-de-banho…

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Portugal 3-Irlanda do Norte 1

Ontem, a convite do senhor Carlos, pai da Joana (uma menina que há alguns anos já frequentou o nosso JI e que agora frequenta o 8º ano), fomos ao Estádio Cidade de Barcelos apoiar a Selecção Nacional de Futebol Sub 17, num jogo com a Irlanda do Norte.
Equipados a "rigor", com meias da "Selecção" oferecidas pelo pai da Leonor, lá fomos nós "puxar" por Portugal...
Hoje, na conversa da manhã, o entusiasmo relativamente à aventura do dia de ontem mantinha-se... Umas crianças porque gostaram de ver os jogadores a jogar e Portugal a ganhar, outras porque gostaram de cantar a "canção de Portugal" (o Hino), outras ainda porque andaram no autocarro do Gil Vicente.
A inspiração futebolística manteve-se ao longo do dia e, durante o recreio da manhã, o Gonçalo veio ter comigo, todo transpirado e com as calças sujas de terra, com ar de quem se ia queixar de algo.
-Que se passa Gonçalo? - perguntei-lhe.
-Preciso de um cartão vermelho.- disse ele, com ar de quem sabia muito bem o que pretendia.
-Um cartão vermelho?!!!!
-Sim, um cartão vermelho. Porque o Afonso empurrou-me e agora tem de ver um cartão vermelho para sair do jogo.

E lá fomos nós fazer um cartão vermelho e um cartão amarelo, devidamente plastificados (e mais dois suplentes, para uma eventualidade).
Durante a tarde a "febre da bola" continuou...e para além dos cartões também houve um apito...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Arquimedes e Galileu...

Uma das coisas que me fascina no trabalho com as crianças da EPE são as possibilidades de escolhermos os vários “caminhos” que nos podem fazer chegar a um mesmo lugar. Muitas vezes são “caminhos” que saem fora da rota pré estabelecida e que nos levam a descobertas inesperadas. E tem sido assim, que ao longo dos séculos, se têm feito descobertas importantes para a Humanidade.

Esta é uma faixa etária em que as descobertas provocam, geralmente, o maior deslumbramento. Estas duas actividades, que partiram de uma “novidade” trazida pelo André e pela vontade de dizer Bom-dia ao Sol, de uma forma inesperada, levaram-nos às teorias de dois cientistas, Arquimedes e Galileu, que há alguns séculos atrás fizeram importantes descobertas.

Como tudo aconteceu de uma forma inesperada, tivemos de recorrer aos materiais que tínhamos “à mão” o que não nos permitiu ir “mais além” nas nossas descobertas … Fica a promessa de nos munirmos materiais mais adequados e um dia destes realizar estas duas experiências de uma forma mais organizada. Assim ficaremos a conhecer melhor o conceito de “impulsão”, descoberto por Arquimedes, e o movimento de translação, descoberto por Galileu.

Princípio de Arquimedes"Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo."

O André trouxe uma pequena bóia das redes, que por estar partida se deve ter soltado. Foi o pai que lha ofereceu, quando no dia anterior o levou a andar no barco de pesca do tio, no rio Cávado, e lhes aconteceu uma peripécia que o André contou todo divertido… O barco tinha ficado sem combustível e foi uma aventura chegar até “ao sítio onde os barcos ficam estacionados”, pois outro barco teve de os rebocar…
Uma das propriedades da bóia era a sua leveza que pudemos sentir pegando nela…Alguém se lembrou da nossa balança e decidimos pesá-la. Lembrámo-nos também da castanha “gigante” que o Ricardo, agora no 1º ano, veio deixar na nossa sala.
Utilizamos a castanha como contrapeso e percebemos que a castanha era mais pesada, porque o prato da castanha estava “mais em baixo”, disse a Jéssica… E, pesados separadamente, a Castanha precisava de mais ursinhos do que a bóia para que a balança ficasse equilibrada.
Tendo em conta a leveza da bóia todos acreditavam que, na água, ela boiaria…mas o mesmo aconteceu com a castanha (apesar de ficar um pouco mais submersa do que a bóia) e com os ursinhos dos “pesos”…porque, segundo o André, a água empurra-os para cima…

Teoria de Galileu: “A Terra move-se ao redor do Sol e do seu próprio eixo. O movimento da Terra em torno do Sol chama-se translação e os dias e as noites derivam do movimento de rotação - aquele em que a Terra faz ao redor de si mesma, do seu próprio eixo."

Num dia de Sol viemos dar os Bons-dias ao Sol… e sentir a sua luz e o seu calor. Neste cumprimento matinal, descobrimos as sombras… que decidimos desenhar no pátio do recreio. Eram sombras muito compridas que, cerca de alguns minutos depois, descobrimos que, se nos colocássemos no mesmo sítio, elas já não coincidiam com a silhueta desenhada no chão. Depois de almoço voltamos a visitar as nossas silhuetas e a testar as nossas sombras que desta vez eram “mais pequenas e ficavam de lado”, disse o Vitor. O que será que tinha acontecido?!… A opinião geral, entre as crianças, era que o Sol se tinha mexido. Como nesse momento recebemos a visita do irmão da Joana, o Filipe, e da Rafaela, que agora já andam no 2º Ciclo, eles deram uma ajudinha na explicação na teoria do movimento de translação. Mas isso da Terra girar à volta do Sol e sobre si mesma e a estrela Sol estar sempre no mesmo sítio, não foi lá uma explicação muito convincente… É que os olhos das crianças dizem-lhe outra coisa: “Se a terra girasse nós ficávamos todos tontos...e o Sol é que mudou de sítio...” Bem, se Galileu conseguiu convencer… eu também hei-de conseguir :o)




Boas descobertas, Amigos...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

À lupa e "à letra".

As lupas são objectos que despertam grande curiosidade nas crianças, e as três lupas da nossa sala são bastante utilizadas. 
Há dias observamos uma abelha e uma mosca que encontramos mortas no parapeito da janela. Frequentemente temos tido libelinhas a passear-nos pela sala, mas também aparecem insectos curiosos... e curiosos vestidos de insectos, que usam as lupas para os observarem.

Mas as lupas não têm servido só para observar os insectos.O Vitor decidiu escrever o seu nome para identificar a tira de cartão, do seu chapéu de cozinheiro. Escreveu o nome com umas letras tão pequeninas, que a dona Alice lhe disse:
- Ó Vitor, é preciso uma lupa para ver o teu nome.
E o Vitor levou "à letra", o que lhe disse a dona Alice...e foi buscar uma lupa para que melhor se vissem as letras :o)